Carriola das letras

Um pouco de tudo do todo!




"...Cause when you’re gone all the colors fade
When you’re gone no New Year’s Day parade
You’re gone
Colors seem to fade..." (Colors - Amos Lee)




(Quando você está indo todas as cores desbotam
Quando você está indo não há parada de ano novo
Você está indo
As cores parecem desbotar-se)

Confira a trilha sonora em: Amos Lee - Colors






"Existem pessoas que, como a cana, mesmo posta na moenda, reduzida a bagaço, só sabem dar doçura."
DomHelder Câmara

Ai que medo...de mim.

E vai ser sempre assim, quando se tratar de uma opinião alheia para uma decisão que é só sua: positiva ou não. Esta última sempre vai impactar, incomodar um pouco, pois ela não te impulsiona a apostar todas as suas fichas em algo que não tem margem de erro ou acerto.

Te dirão que é possível medir os prós e os contras mas, inconscientemente sua decisão já estará tomada, e aí tudo o que disserem não servirá absolutamente para nada.

O que é para ser racional, tudo, é também direcionado pelo desejo que você guarda em seu coração.

As perguntas que fazemos, opiniões que pedimos é apenas parte do procedimento de tomar uma decisão. Não serve lá para muita coisa na hora H. Talvez sirva para fundamentar uma possível frustração em relação à decisão, mas isso é assunto para outro post.

A verdade é que a decisão é tudo o que você tem, e o que vai acontecer depois só depende de você, da sua vontade...

OUSE! ARRISQUE-SE! Se é só a possibilidade que você tem, então tente, experimente, erre, acerte, tanto faz agora, porque tudo o que você tem por enquanto é a chance.



Mentiras,

Não há uma que não se acabe...

O pior cego não é aquele que não quer enxergar, é aquele que vê e acha que enxerga tudo!

Calma... tudo está em calma...


Bruna Carolini

"...Sempre precisei de um pouco de atenção, acho que não sei
quem sou só sei do que não gosto...Nesses dias tãos estranhos fica a poeira se
escondendo pelos cantos... Esse é o nosso mundo. O que é demais nunca é o bastante a primeira vez, sempre a última chance. Os assassinos estão livres, nós não estamos... Vamos sair mas não temos mais dinheiro, os meus amigos todos estão procurando emprego. Voltamos aviver como a dez anos atrás, e a cada hora que passa envelhecemos dez semanas..."



A primavera inspira esta que vos fala!
E acho que não só a mim não, olha a Cecília falando da primavera de novo:


“Aprendi com a primavera a me deixar cortar. E a voltar sempre inteira”.(Cecília Meireles)

E como ela fala bem, não?


Beto Guedes também falou, e falou bonito...


Sol de Primavera (Beto Guedes)

Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou juntos outra vez
Já sonhamos juntos
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar
Já choramos muito,
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha nos trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor,
só nos resta aprender….

E eu... bom, eu só vos digo que
aqui dentro eu tentarei falar de flores...


Bruna C.











Oficialmente já estamos na primavera! (Desde ontem, descupem o atraso rs)
E para saudar a estação das flores um belíssimo texto de Cecília Meireles.

Primavera
Cecília Meireles

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

Bruna C.