Carriola das letras

Um pouco de tudo do todo!



A primavera inspira esta que vos fala!
E acho que não só a mim não, olha a Cecília falando da primavera de novo:


“Aprendi com a primavera a me deixar cortar. E a voltar sempre inteira”.(Cecília Meireles)

E como ela fala bem, não?


Beto Guedes também falou, e falou bonito...


Sol de Primavera (Beto Guedes)

Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou juntos outra vez
Já sonhamos juntos
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar
choramos muito,
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha nos trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor,
só nos resta aprender….

E eu... bom, eu só vos digo que
aqui dentro eu tentarei falar de flores...


Bruna C.











Oficialmente já estamos na primavera! (Desde ontem, descupem o atraso rs)
E para saudar a estação das flores um belíssimo texto de Cecília Meireles.

Primavera
Cecília Meireles

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

Bruna C.

COMO A VIDA DEVIA SER
Um texto de Chico Anysio
Eu acho que o ideal seria que as pessoas nascessem velhas e morressem crianças. O homem nasceria com 90 anos, ia ficando mais moço, mais moço, até morrer de infância. Nascendo com 90 anos, você aos 65 se casaria com uma mulher de 59, mas e a recompensa? A cada dia, a cada semana, a cada mês, ela ia ficando mais nova, mais nova, até se transformar numa gata de 20. Entendeu? E, depois do casamento, vocês dois ficariam noivos, seriam namorados, até chegar ao amor infantil, branco e desinteressado... mãos dadas... (no máximo) e apagando das árvores, os corações entrelaçados.Você nasceria rico, aposentado e sábio. Começaria a ganhar cada vez menos... até entrar para a Faculdade para ir desaprendendo tudo e ir ficando mais ingênuo e mais puro. Depois a bicicleta, o velocípede, desaprenderia a andar, esqueceria como engatinhar, o voador, o cercadinho... do cercadinho pro berço, as fraldinhas molhadas, três gotas de Otalgan para a maldita dor de ouvido, o chá de erva doce para a dorzinha de barriga...a mamadeira de água, o peito da mãe e, num dia qualquer, pararia de chorar. Com o tempo correndo para trás, a humanidade regrediria nos séculos até aparecer o último homem: Adão. Último-primeiro quando então, pegando-o na mão, ao invés de soprar sobre ele Deus inspiraria o homem outra vez para dentro de si mesmo.
Grande Chico...
Para quem quiser conferir mais alguns posts dessa grande figura segue o link:
Bruna C.

Dependência






Dependência definitivamente não é amor.

Esta é uma concepção sobre o amor que me assombra. Tantas vezes ouço pessoas dizendo "não consigo viver sem ele" ou então "ele é tudo pra mim!"... Já parou para pensar no que essas palavras representam?

Se não consegue viver sem uma pessoa você não a ama, é apenas parasita dela. Necessita da outra para viver, isso é parasitismo. O amor é uma questão de escolha, uma questão de liberdade: duas pessoas se amam quando conseguem viver um sem o outro mas escolhem viver juntas.

Pessoas dependentes nunca experimentam a sensação de plenitude, estão sempre procurando energia para amar e arranjando formas de ser amado, vivendo no escuro e com medo da perda.

A única forma de ser amado é ser digno de amor.

Dependência pode até parecer amor, pois duas pessoas se agarrarem uma a outra para caminhar, mas nasce na incapacidade de amar e caminha no sentido contrário do amor, que se deixa prender pela liberdade, e que tem a certeza de que deixar ir é sinônimo de voltar.


"Te tenho com a certeza de que você pode ir, te amo com a certeza de que irá voltar pra gente ser feliz, você surgiu e juntos conseguimos ir mais longe, você dividiu comigo a sua história e me ajudou a construir a minha, hoje mais do que nunca somos dois, a nossa liberdade é o que nos prende... Viva todo o seu mundo, sinta toda a liberdade, e quando a hora chegar, volta... que o nosso amor está acima das coisas desse mundo..." (Mais uma vez - Jota Quest)


Bruna C.



É pra contar a supermegaultra experiência da ciência, que através de um superhipersupra simulador tentará recriar o Big Bang (aquele que deu origem ao universo lembra? Então, ele.)

O nome do garoto é LHC (sigla em inglês de Large Hadron Collider - Grande Colisor de Hádrons), nasceu com 8 quilómetros e meio de diâmetro, formando um círculo com quase 28 quilómetros e foi acionado hoje na Suíça. O preço desse BOOMM mais que demais passa de 3 bilhões (eu disse BILHÕES) de euros e foi projetado para atirar partículas de protões umas contra as outras quase à velocidade da luz. A libertação maciça de energia causada pelo choque das partículas simularia as condições após a explosão que deu origem ao universo, o Big Bang.

Que Legaus!


Bruna C.



O Supremo castigo
(Mário Quintana)

Em todos os aeródromos,
em todos os estágios,
no ponto principal de todas as metrópoles, existe
- e quem é que não viu? -
aquele cartaz...
De modo que,
se esta civilização desaparecer
e seus dispersos e bárbaros sobreviventes
tiverem de recomeçar tudo desde o princípio
- até que um dia também tenham os seus próprios arqueólogos
- estes hão de sempre encontrar,
nos mais diversos pontos do mundo inteiro,
aquela mesma palavra.
E pensarão eles que coca-cola era o nome do nosso deus.



Tears in heaven - Eric Clapton

No dia 20 de março de 1991, às onze horas da manhã, Conor Clapton (com quatro anos e meio de idade) morreu ao cair da janela do 53º andar de um prédio de Nova York. A empregada deixou a janela parcialmente aberta, e Conor caiu no telhado de um prédio adjacente. Ao saber da morte do garoto, ela sofreu um colapso nervoso e teve de ser sedada e hospitalizada.
A morte de Conor inspirou Clapton a compor Tears in Heaven que, segundo ele, o ajudou a aceitar a perda. Nunca foi planejada sua publicação, mas foi publicada mesmo assim. A mãe de Conor, Lori Del Santo, recusou-se a escutar a canção. (Wikipedia)

video

Tears in heaven (Lágrimas no paraíso) - Eric Clapton

Would you know my name (Você saberia meu nome)

If I saw you in heaven? (Se eu te encontrasse no paraíso?)

Would it be the same (Seria a mesma coisa)

If I saw you in heaven? (Se eu te encontrasse no paraíso?)

I must be strong (Eu tenho de ser forte)

And carry on (E prosseguir)

‘Cause I know I don’t belong (Porque eu sei que não pertenço)

Here in heaven (Aqui ao paraíso)

Would you hold my hand (Você seguraria minha mão)

If I saw you in heaven? (Se eu te encontrasse no paraíso?)

Would you help me stand ( Você me ajudaria a suportar)

If I saw you in heaven? (Se eu te encontrasse no paraíso?)

I’ll find my way (Eu encontrarei meu caminho)

Through night and day (Através da noite e dia)

‘Cause I know I just can’t stay (Porque eu sei que simplesmente não posso ficar)

Here in heaven (Aqui no paraíso)

Time can bring you down (O tempo pode deixar você desanimado)

Time can bend your knees (O tempo pode dobrar seus joelhos)

Time can break your heart (O tempo pode partir seu coração)

Have you begging please (Te deixar suplicando por favor)

Begging please (Suplicando por favor)

Beyond the door (Além da porta)

There’s peace, I’m sure (Existe paz, eu tenho certeza)

And I know there’ll be no more (E sei que não haverá nunca mais)

Tears in heaven (Lágrimas no paraíso)

Esta música consegue expressar toda a tristeza de Clapton e tornou-se o maior sucesso de sua carreira.

Bruna C.

Tristeza, por favor, vá embora...



Não acho necessário e não me empenho em encontrar motivos para minha tristeza. Estar triste já me consome muito tempo.

Aos meus olhos, hoje todo tipo de existência e sentimento é composto de tristeza.
Mascaramos felicidade...E que obrigatoriedade em ser feliz não é?

"É melhor ser alegre que ser triste..." verdade Vinicius. Mas o que fazer diante da incapacidade em controlar esse redemoinho de emoções? Ainda bem que se lembrou disso quando escreveu A felicidade ...

"Tristeza não tem fim, felicidade sim..."



Sorri
(Chaplin)


Sorri,

Quando a dor te torturar

E a saudade atormentar

Os teus dias tristonhos, vazios

Sorri,

Quando tudo terminar

Quando nada mais restar

Do teu sonho encantador

Sorri,

Quando o sol perder a luz

E sentires uma cruz

Nos teus ombros cansados, doloridos

Sorri,

Vai mentindo a tua dor

E ao notar que tu sorris

Todo mundo irá supor

Que és feliz.



Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz...Todo carnaval tem seu fim.

Carnaval, carnaval... eu fico tão triste quando chega o carnaval.
Bruna C.